Linhas de Nazca
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LINHAS DE NAZCA
As Linhas de Nazca são um conjunto de enormes desenhos traçados na superfície desértica da região de Nazca.
Nesse planalto desértico encontramos grandes figuras que representam diversas formas geométricas e seres humanos.
As Linhas de Nazca podem ser classificadas em cinco tipos.
Os mais conhecidos são as linhas retas, as formas geométricas e os desenhos de animais, insetos e plantas.
Os demais são as figuras em alto-relevo e as chamadas estrelas desconhecidas, menos populares, mas igualmente espetaculares.
Todas as imagens são tão grandes que a melhor forma de apreciá-las por completo é do alto.
Até hoje ninguém conseguiu explicar totalmente o significado das Linhas de Nazca.
Seu verdadeiro propósito continua intrigando arqueólogos do mundo inteiro.
Desde sua descoberta, na década de 1920, surgiram inúmeras teorias, mas seu significado permanece em grande parte envolto em mistério.
Por seu tamanho monumental e sua arte singular, foram declaradas Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1994.
INTRODUÇÃO
Segundo os arqueólogos, as Linhas de Nazca foram construídas entre 200 a.C. e 600 d.C.
Sua criação é atribuída aos antigos povos Paracas e Nazca, que floresceram no litoral sul do Peru.
Os estudiosos acreditam que a cultura Nazca foi uma continuação do povo Paracas, já que ambas as culturas refletem costumes semelhantes.
A cultura Paracas entrou em declínio por volta de 200 a.C. e acabou desaparecendo, o que permitiu a ascensão da cultura Nazca.
LOCALIZAÇÃO DAS LINHAS DE NAZCA
As Linhas de Nazca ficam no deserto de Nazca, um planalto árido no sul do Peru, a cerca de 400 quilômetros ao sul de Lima.
Mais precisamente, estão nos Pampas de Jumana e San José, uma vasta planície árida entre as cidades de Nazca e Palpa.
A ORIGEM DAS LINHAS DE NAZCA
As Linhas de Nazca têm raízes na cultura Paracas, que prosperou por volta de 500 a.C. nos vales do sul do Peru.
Nessa época, os Paracas usavam as amplas superfícies planas de grandes rochas como tela, dando origem ao que hoje chamamos de petróglifos.
Esses petróglifos são abundantes nos vales do sul e mostram imagens de animais, plantas, divindades e muitas outras formas.
Nas fases finais da cultura Paracas ocorreu uma transição notável: eles passaram a fazer representações em maior escala, voltadas sobretudo para figuras antropomórficas.
Ao contrário das Linhas de Nazca, as imagens Paracas eram traçadas nas encostas dos morros, de modo que os povoados abaixo pudessem vê-las.
Essas imagens notáveis comprovam que culturas anteriores à civilização Nazca já criavam geoglifos quase 500 anos antes dos nazcas.
As Linhas de Nazca surgiram, portanto, como uma extensão dessa rica tradição artística iniciada pela cultura Paracas.
Foi nesse contexto cultural que nasceram as Linhas de Nazca, que cativaram a imaginação de gerações inteiras.
Enquanto os Paracas expressavam sua arte principalmente em rochas, a civilização Nazca deu um passo além e criou imensos geoglifos no solo do deserto, visíveis do alto.
QUEM FORAM OS NAZCAS
Os nazcas foram um povo que se estabeleceu no deserto costeiro do sul do Peru e teve como capital a cidade de Cahuachi.
Cahuachi foi um grande centro religioso construído com adobe que, em seu apogeu, ocupava mais de 24 quilômetros quadrados.
Suas pirâmides, templos, praças e terraços recebiam centenas de peregrinos dos vales vizinhos.
Além das extraordinárias figuras traçadas no deserto, os nazcas ficaram famosos pela produção de uma cerâmica muito colorida.
Parte de sua cerâmica era feita para uso doméstico, enquanto as peças mais finamente elaboradas tinham fins sociais e religiosos.
Os vasos retratavam seu cotidiano, seus deuses, sua flora e sua fauna, e mostram ainda algumas das mesmas figuras que aparecem no deserto de Nasca.
Eles também eram artesãos excepcionais, que produziam tecidos magníficos de lã de camelídeo e fibras vegetais.
Os nazcas baseavam sua economia na agricultura e, para prosperar, desenvolveram um sistema de aquedutos subterrâneos para irrigar terras secas sem água superficial.
Assim conseguiram enfrentar o deserto que avançava ao seu redor.
Surpreendentemente, esses canais antigos ainda são usados hoje pelos agricultores locais.
Como os nazcas viviam relativamente perto do oceano, a pesca pode ter sido uma atividade importante e, provavelmente, uma boa fonte de troca com os mercadores andinos.
Os estudiosos acreditam que os nazcas eram pescadores habilidosos, e a prova disso está na iconografia de sua cerâmica e de seus tecidos, que retratam não apenas criaturas marinhas, mas também apetrechos de pesca e embarcações rústicas.
O AMBIENTE DE NAZCA
A região de Nasca é um dos lugares mais secos do planeta, limitada pelos Andes a leste e pelo oceano Pacífico a oeste.
Apesar da localização tropical do Peru, seu litoral é praticamente uma longa faixa desértica de mais de 2.500 km.
O deserto é gerado pela fria corrente de Humboldt, no oceano Pacífico, e pelos ventos predominantes, ambos no sentido sul para norte.
A fria corrente de Humboldt impede a evaporação no mar e, consequentemente, a formação de nuvens, por isso raramente chove nessas regiões.
Por outro lado, as encostas orientais dos Andes bloqueiam as nuvens de chuva vindas da floresta amazônica, de modo que o litoral peruano também não recebe nuvens desse lado.
Ainda assim, todos os anos, durante o verão (dezembro, janeiro, fevereiro e março), a água do Pacífico se aquece um pouco.
Esse aumento da temperatura da água gera nuvens de chuva, que os ventos costumam levar em direção aos Andes, onde ocorrem as precipitações.
Com isso, os rios se enchem desse precioso recurso, que depois desce rumo ao oceano Pacífico e forma vales férteis ao longo do litoral peruano.
A cada 7 ou 10 anos, o litoral peruano enfrenta um fenômeno natural conhecido como El Niño, associado principalmente a desastres naturais.
Quando ocorre o El Niño, a água do oceano fica mais quente do que o normal, a pressão atmosférica aumenta, os ventos alísios mudam de direção e as chuvas se intensificam, causando fortes tempestades e aguaceiros.
As pesquisas arqueológicas sugerem ainda que a região de Nazca sofreu secas severas por causa de outro fenômeno conhecido como La Niña.
Além disso, uma placa tectônica oceânica situada em frente à zona de Nazca provoca tremores e terremotos que, de tempos em tempos, causam sérios danos à região e chegam a matar seus habitantes.
Durante escavações arqueológicas, vários corpos foram encontrados sob muros desabados no interior de antigos assentamentos, o que comprova a ocorrência desse fenômeno natural no passado.
O DESERTO DAS LINHAS DE NAZCA
O deserto das Linhas de Nazca é um grande planalto coberto de seixos e pequenas pedras.
Esse planalto desértico fica a 430 metros acima do nível do mar. (Longitude: -75.130005 e latitude: -14.739027)
A região é extremamente rica em ferro, por isso a cor escura do solo resulta da oxidação desse mineral.
Em algumas áreas o deserto de Nazca ganha um tom avermelhado, por causa do contato entre a superfície rochosa e o orvalho da manhã.
Com o tempo, as pedras ferrosas se oxidaram e formaram uma espécie de lousa gigantesca, tão escura e misteriosa que lembra a superfície da Lua.
No entanto, poucos centímetros abaixo, o terreno contém solo argiloso e sedimentos de gesso, cuja mistura produz uma cor branca e, em algumas áreas, um tom amarelado.
A CONSTRUÇÃO DAS LINHAS DE NAZCA
A maioria dos pesquisadores concorda que os nazcas fizeram os desenhos removendo as pedras escuras da superfície para expor o solo de gesso logo abaixo, criando assim um forte contraste entre a superfície escura e os sulcos claros.
Portanto, para criar um grande desenho, os nazcas só precisavam retirar as pedras da superfície e empilhá-las ao longo das bordas, seguindo o padrão desejado.
Provavelmente os desenhos eram primeiro esboçados em um pequeno pedaço de tecido e depois ampliados em escala no deserto, com unidades de medida que hoje desconhecemos.
Os arqueólogos acreditam que os nazcas usaram estacas de madeira para construir as linhas, já que foram encontrados restos de estacas na extremidade de algumas delas.
Os nazcas podem ter fincado estacas no chão, esticado uma corda entre elas e depois removido as pedras ao longo da corda para traçar linhas retas.
Quanto às grandes formas geométricas, como os enormes retângulos, acreditamos que eles simplesmente marcavam as bordas e depois retiravam todos os seixos do interior, empilhando-os nas margens e criando assim uma enorme área limpa.
Impressionantemente, esses desenhos enigmáticos resistem no deserto há mais de 2.000 anos. Como explicar uma conservação tão notável?
A PRESERVAÇÃO DAS LINHAS
Vários fatores contribuíram para a preservação das linhas, principalmente os raios de sol, o clima seco e a umidade.
É preciso lembrar que a área permaneceu intocada por mais de 1.000 anos e que, por sua localização e sobretudo por sua aridez, ninguém jamais cultivou esses desertos.
Também devemos considerar a natureza do solo, composto de argila e gesso.
As noites úmidas de inverno e o orvalho da manhã fazem as pedras afundarem aos poucos no terreno.
Durante o dia, o sol endurece a superfície e deixa as pedras ainda mais firmemente presas ao solo.
Podemos dizer, portanto, que graças a essa combinação natural de água, gesso e calor solar, a superfície do deserto se tornou compacta.
Ao longo do ano a área recebe ventos constantes, mas eles não são fortes o suficiente para mover as pedras.
Além disso, a maioria dos desenhos de Nazca foi feita em áreas estratégicas ou planaltos elevados, para evitar sua destruição por forças naturais como o El Niño, que costumava chegar com chuvas intensas e enxurradas consideráveis.
No passado, as inundações causadas pelo El Niño deixaram grandes marcas, como leitos de rios secos e muitas linhas parcialmente cortadas ou destruídas. Tudo isso pode ser observado ao sobrevoar a região.
OS DESENHOS DAS LINHAS DE NAZCA
Ao contrário dos famosos geoglifos da cultura Nasca, que se encontram sobretudo nos planaltos planos entre os vales, os Paracas eram geralmente traçados nas encostas dos morros; assim, eram visíveis do próprio terreno ou do fundo dos vales. Com dimensões entre 2 e 30 metros, são menores que os de Nasca.
Entre os motivos representados pela cultura Paracas na região de Palpa, encontramos figuras zoomórficas, especialmente aves e felinos, além de figuras antropomórficas.
Seguindo para o norte, rumo ao planalto de Nazca, encontramos centenas de linhas retas que cruzam o deserto e formam um labirinto gigante.
Outros desenhos são formas geométricas, como triângulos, espirais e trapézios, feitos em sua maioria em escala maior.
Quanto aos animais, há vários tipos: aves, quadrúpedes, criaturas marinhas, insetos e plantas.
Entre as figuras humanas há diversos desenhos, entre os quais se destaca uma silhueta humana conhecida como o Astronauta.
Vale destacar que a maioria das figuras humanas foi traçada em encostas e não no solo plano, e pertence a períodos antigos.
Há ainda muitas outras figuras que continuam sem identificação.
As figuras podem ser enormes; muitas têm pelo menos o tamanho de um campo de futebol.
A maior figura do deserto de Nazca é uma ave conhecida hoje como a Garça, com 300 metros de comprimento, o equivalente a cerca de 3 campos de futebol.
Em todo o complexo arqueológico existem mais de 800 linhas retas, algumas com mais de 40 quilômetros de extensão.
A DESCOBERTA DAS LINHAS DE NAZCA
As Linhas de Nazca permaneceram desconhecidas do mundo por mais de 1.000 anos: seu tamanho gigantesco e sua localização isolada as mantiveram ocultas aos olhos humanos.
Só na década de 1920 pilotos de companhias aéreas sobrevoaram a região e avistaram várias linhas retas.
Pouco depois, a notícia dessas linhas no deserto se espalhou pelo país, e logo o deserto receberia seu primeiro visitante.
Em 1926, o arqueólogo TORIBIO MEJÍA XESSPE chegou a Nazca após receber relatos sobre estranhas descobertas recentes no deserto.
Depois de explorar o vale e observar algumas linhas retas no deserto árido, concluiu que se tratava de antigos caminhos sagrados.
Infelizmente, os relatórios de Mejía Xesspe não despertaram o interesse do público naqueles anos.
Em 1939, o professor PAUL KOSOK, da Long Island University, no Brooklyn, chegou ao deserto de Nazca movido pelo interesse nos antigos sistemas de irrigação da região.
Durante sua exploração pelo vale de Nazca, ele se depararia com a existência das Linhas de Nazca.
No início, pensou que as linhas do deserto também podiam fazer parte do antigo sistema de irrigação, mas logo percebeu que estava enganado.
Conta-se que, na primeira vez em que Kosok visitou o deserto de Nazca, ele estava no alto de um morro, no centro de um grupo de linhas, justamente quando o sol começava a se pôr.
Ao olhar ao longo de uma das linhas, percebeu que o sol se punha exatamente sobre ela.
Ficou impressionado, pois era 21 de junho, o dia mais curto do ano no Hemisfério Sul (solstício de inverno).
Por isso, declararia mais tarde que os antigos nazcas haviam construído aquela linha para marcar o solstício de inverno.
Para explorar o vasto deserto sem vida, Kosok contratou um avião para observar do alto a área das linhas.
Foi nesse momento que Paul Kosok viu pela primeira vez centenas de linhas retas, enormes formas geométricas e desenhos de animais.
Depois de mapear o deserto, afirmou que as Linhas de Nazca faziam parte de um gigantesco calendário astronômico que indicava aos antigos peruanos quando plantar, irrigar e colher.
TEORIAS SOBRE AS LINHAS DE NAZCA
MARIA REICHE
Maria Reiche era uma matemática que fugiu da Alemanha nazista para o Peru em 1932.
Dedicou a vida aos desenhos do deserto de Nazca, quase sem interrupção, de 1946 até sua morte, em 1998.
Deu continuidade à pesquisa do professor Paul Kosok, a quem conheceu em 1940, quando morava em Lima.
Maria Reiche chegou pela primeira vez à cidade de Nazca em 17 de dezembro de 1941, poucos dias antes do solstício de verão.
Passou a noite no hotel “Royal”, em Nasca, localizado no atual terceiro quarteirão da rua Lima.
A primeira figura que ela descobriu foi a aranha, em junho de 1946. Depois de descobrir a figura da ARANHA, enviou as fotografias ao Dr. Kosok.
Ele mandou reimprimir as fotos e registrou os direitos em várias revistas, mas nunca mais entrou em contato com ela.
Nesse mesmo ano, Maria Reiche recebeu uma doação do prefeito de Nazca, dom Agustín Bocanegra y Prada, que lhe deu uma velha caminhonete e uma escada de abrir.
Assim, ela podia ir ao deserto antes do amanhecer para tirar as primeiras fotografias do planalto de Nazca.
Como a cidade de Nazca ficava um pouco longe do deserto, ela encontrou um novo lugar para morar em La Pascana, um pequeno povoado bem próximo dos desenhos.
Em 1947, Maria Reiche tirou as primeiras fotografias aéreas, sobrevoando as áreas de Ingenio e Nasca. Ela pôde voar sobre as linhas graças a um piloto local que usava seu pequeno avião para pulverizar lavouras.
Em 1948, descobriu a figura da GARÇA, uma ave de 300 metros de comprimento que ela associou ao solstício de inverno.
Em 21 de junho (solstício de inverno no Hemisfério Sul), observou que o bico da garça apontava para o nascer do sol, o que a levou a crer que a garça anunciava o início do inverno.
Em 1952, descobriu a figura do MACACO, um desenho singular feito com apenas nove dedos, assim como a própria Maria, que também tinha nove dedos.
Reiche passou anos medindo cuidadosamente as linhas e registrando sua relação com os movimentos do sol, da lua e das estrelas.
Concluiu que as linhas geométricas formavam um gigantesco calendário astronômico. Segundo sua teoria, todo o complexo foi projetado para ajudar a organizar o plantio e a colheita.
Ela também acreditava que os antigos peruanos construíram os desenhos para agradar aos deuses e garantir sua benevolência.
Acreditava que todas as imagens eram símbolos para lembrar aos deuses que suas terras estavam secas e precisavam de água, e que as plantações precisavam de bênçãos.
Infelizmente, a Rodovia Pan-Americana, construída em 1938, atravessou o deserto de Nazca e destruiu pelo caminho muitas linhas e desenhos.
Entre os desenhos destruídos está o lagarto, cujo corpo foi cortado ao meio durante a construção da estrada.
Seu esforço incansável deu frutos e, por fim, ela conseguiu que o governo do Peru restringisse o acesso à área e construísse um mirante ao lado da rodovia, para facilitar a observação das linhas sem invadi-las.
Antes da construção da Pan-Americana, a população costumava circular aleatoriamente sobre as figuras, já que os desenhos eram tão grandes que não podiam ser vistos do chão.
Além de seus esforços para decifrar as linhas e de sua luta incansável para proteger o local, a maior contribuição de Reiche foi colocar as linhas no mapa.
Embora sua teoria tenha caído em desuso, os peruanos sentem imensa gratidão e carinho pela mulher que hoje chamam de “a Dama do Deserto”.
GERALD HAWKINS
O astrônomo Gerald Hawkins já era bem conhecido no meio científico quando iniciou sua pesquisa sobre as Linhas de Nazca, em 1967.
Depois de estudar Stonehenge, na Inglaterra, com bons resultados, Hawkins decidiu usar as mesmas ferramentas tecnológicas para desvendar o mistério das Linhas de Nazca.
Assim, ele e seus colegas foram a Nazca testar a teoria astronômica de Maria Reiche, mas, mais uma vez, a proposta astronômica não pôde ser comprovada.
Em 1968, uma pesquisa realizada por Hawkins com a National Geographic concluiu que, embora algumas linhas de Nazca apontassem para as posições do sol, da lua e de certas estrelas há 2.000 anos, isso não passava de mero acaso.
Ele voltou a Nazca em 1973, analisou 186 linhas com um programa de computador e constatou que apenas 20% tinham orientação astronômica, o que mais uma vez foi interpretado como puro acaso.
Hawkins não encontrou nenhuma correlação entre as linhas e o cosmos; por isso, em sua visão, a astronomia não era a solução do enigma.
A partir da pesquisa de Hawkins, o estudioso de eclipses Robin Edgar acredita que os desenhos de Nazca, sobretudo os de animais, podem ser uma antiga resposta ao chamado “Olho de Deus”, que se manifesta no céu durante um eclipse solar total.
Robin Edgar afirma que houve uma série incomum de eclipses solares totais sobre o sul do Peru na época Nazca, que pode ter coincidido com o período de construção dos desenhos.
Segundo ele, quando o sol é eclipsado, parece a pupila e a íris de um olho gigantesco no céu.
Por isso, acredita que os desenhos foram criados para serem vistos por esse “Olho de Deus” durante um eclipse solar total.
ERICH VON DÄNIKEN
Em 1968, o escritor suíço Erich von Däniken provocou um acalorado debate científico com seu livro “Eram os Deuses Astronautas?”, no qual afirmava que os nazcas se comunicavam com visitantes de outros planetas.
Segundo sua teoria, as enormes formas geométricas foram feitas por alienígenas que pousaram no deserto de Nazca há muito tempo.
Ele acredita que, quando as naves alienígenas pousaram no deserto, a força de seus propulsores afastou as pedras e deixou grandes pistas no solo; tempos depois, quando os alienígenas partiram, os nazcas chegaram ao local, viram essas enormes pistas de pouso e decolagem e sussurraram que os deuses de fogo haviam percorrido aquelas linhas.
JIM WOODMAN E JULIAN NOTT
Em 1975, o aventureiro Jim Woodman e o balonista Julian Nott visitaram o deserto de Nazca.
Eles não só tinham uma teoria diferente, como também fizeram de tudo para comprová-la.
Ambos estavam convencidos de que os nazcas haviam sobrevoado o deserto em um balão de ar quente para contemplar os desenhos enquanto adoravam o sol.
Para provar que os nazcas podiam voar, construíram um balão de ar quente com materiais que os antigos nazcas teriam à disposição.
Usaram um barco de junco como cesto e tecido de algodão para o envelope, aquecido pela fumaça de uma fogueira; por fim, decolaram e sobrevoaram o deserto por apenas 2 minutos.
Pesquisas mais aprofundadas concluíram que não há provas de que os nazcas tenham construído um balão de ar quente ou de que fossem capazes de voar.
PHYLLIS PITLUGA
Phyllis Pitluga, professora do Planetário Adler, em Chicago, visitou Nazca pela primeira vez em 1983, interessada na astronomia inca.
Anos depois, seria convidada por Maria Reiche para participar da pesquisa sobre as Linhas de Nazca, graças à sua experiência e ao seu conhecimento do cosmos.
No início, apoiou a teoria de Maria Reiche, acreditando que a origem das linhas estava ligada aos corpos celestes e que elas poderiam ter sido usadas como calendário astronômico.
Após um minucioso trabalho de campo no deserto, Pitluga concluiu que as linhas não correspondiam às constelações do céu de Nazca.
Quanto às linhas, ela acredita que foi mera coincidência algumas apontarem para certas estrelas importantes, pois há milhões de estrelas no céu e, diante de tamanha profusão, qualquer linha poderia apontar para qualquer coisa.
ANTHONY AVENI
Nos anos 1980, Anthony Aveni, professor de astronomia e antropologia da Universidade Colgate, em Nova York, iniciou uma nova pesquisa no deserto de Nazca.
Para testar a teoria astronômica, Aveni processou os dados das Linhas de Nazca em computador e não encontrou correspondência significativa entre as linhas e as estrelas importantes.
Pelo contrário, ele afirma que as linhas e os trapézios estão relacionados à água, mas não para encontrá-la, e sim em conexão com rituais.
Acredita que algumas linhas eram caminhos sagrados percorridos em rituais nos quais os nazcas provavelmente pediam chuva aos deuses.
Ele indica também que um número significativo de linhas aponta para o sopé dos Andes, onde o sol nascia no início da estação chuvosa, o que sugere que essas linhas talvez tenham sido criadas para venerar divindades, especialmente as ligadas à chuva.
Aveni notou que muitas linhas retas convergiam em padrões radiais, que ele chamou de “centros de raios”.
Após meses de trabalho de campo, identificou pelo menos 62 centros de raios e cerca de 800 linhas retas. Quase todas as linhas se ligam a um centro de raios, e praticamente todos os centros de raios ficam no alto de um morro.
As linhas eram caminhos sagrados que levavam clãs e sacerdotes nazcas aos centros de raios e aos trapézios próximos, onde se realizavam cerimônias relacionadas à água.
PERSIS CLARKSON
A arqueóloga canadense Persis Clarkson se dedicou ao estudo dos geoglifos das Américas, especialmente em áreas que vão dos Estados Unidos ao sul do Peru e ao norte do Chile.
Nos anos 1980, integrou um projeto liderado por Aveni, realizando um levantamento detalhado dos vestígios culturais do pampa de Nasca.
Documentou elementos como círculos de pedra, montículos e artefatos, com o objetivo de compreender o contexto cultural e ambiental dos geoglifos.
Seus projetos posteriores deram continuidade a essa pesquisa.
Investigou a cronologia dos geoglifos, sugerindo inicialmente que as figuras biomórficas eram da época Nasca, enquanto os geoglifos lineares pertenciam a períodos posteriores, o que gerou debates.
Com mais trabalho de campo e novas datações, Clarkson revisou sua posição e propôs que certos geoglifos lineares também poderiam remontar à época Nasca.
Ela destacou a função dos geoglifos como caminhos, possivelmente usados para rituais ou atividades cotidianas, algo sustentado pelas trilhas e pelos artefatos encontrados nas proximidades.
Clarkson associou os círculos de pedra e a cerâmica simples às pessoas que construíram os geoglifos.
Sugeriu que elas quebravam intencionalmente cerâmicas delicadas durante os rituais.
Sua pesquisa chamou a atenção para elementos esquecidos ligados aos geoglifos.
Seus estudos nos ajudaram a entender melhor a cultura em torno dos geoglifos.
Ela foi uma das primeiras a tentar determinar a idade dos geoglifos com diferentes métodos de datação.
HELAINE SILVERMAN
Helaine Silverman, arqueóloga norte-americana, pesquisou a fundo a região de Nasca nos anos 1980.
Concentrou-se em dois projetos principais: as escavações em Cahuachi e um levantamento dos assentamentos do vale de Ingenio.
Seu trabalho se diferenciou do de pesquisadores anteriores porque ela não isolou os geoglifos de Nasca, mas os viu como parte de um contexto cultural mais amplo.
Silverman constatou que os geoglifos costumavam ficar perto dos assentamentos, apontando para eles ou conectando-os.
Acreditava que os geoglifos estavam ligados ao centro espiritual, ritual e social de Cahuachi.
Para ela, as linhas do pampa eram como caminhos para os peregrinos que seguiam rumo a Cahuachi e espaços para encontros e rituais de grupos sociais.
Assim como Urton, considerava que a sociedade Nasca era organizada de forma dual.
A ideia de Silverman era que a bacia de Nasca se dividia em duas partes e que o pampa era o local onde as pessoas dessas partes se encontravam e interagiam. Ela sugeriu que Cahuachi e outro sítio chamado Ventilla eram ligados por um geoglifo, o que reforçava a ideia do pampa como terreno comum.
No entanto, sua teoria levanta algumas dúvidas.
O suposto geoglifo que ligava os sítios foi destruído na década de 1920 pela antiga estrada Pan-Americana, chamada pelos moradores de CAMINO DE LEGUÍA, por isso não se sabe se ele realmente existiu.
Além disso, Ventilla não foi bem estudado, e há questionamentos sobre o papel de Cahuachi tal como ela o propôs.
Silverman acreditava que os geoglifos faziam parte de um complexo ritual mais amplo, envolvendo previsões sobre a água, observações do céu e culto.
Para ela, as linhas eram uma espécie de registro de informações importantes para a vida social.
Em resumo, na visão de Silverman os geoglifos faziam parte de um quadro maior que envolvia rituais, previsões e práticas culturais.
No entanto, seu modelo carece de provas arqueológicas sólidas que sustentem seus detalhes específicos.
GARY URTON
Em 1990, o pesquisador norte-americano Gary Urton estudou como as comunidades atuais do Peru agem coletivamente e realizam rituais.
Recorreu a relatos e registros antigos para conhecer esses comportamentos e sua história.
Juntou-se ao pesquisador Aveni para estudar as linhas de Nasca, as grandes figuras traçadas no solo peruano.
A partir desses relatos e registros, Urton descobriu que no passado as pessoas costumavam trabalhar juntas em ocasiões especiais, como festas religiosas, para cuidar de assuntos importantes da comunidade.
Urton constatou que, há muito tempo, a sociedade Nasca se organizava em grupos de diferentes níveis.
Havia pequenos grupos de pessoas com direitos compartilhados sobre a terra, chamados “ayllus”.
Esses pequenos grupos se uniam para formar grupos maiores, que por sua vez faziam parte de agrupamentos ainda maiores.
Urton percebeu que esse padrão funcionava como blocos de montar.
Ele acreditava que a forma como as pessoas se organizavam e organizavam a terra naquela época era semelhante à de períodos posteriores.
Pensava que as linhas eram cuidadas por pessoas que trabalhavam juntas dentro desses grupos.
Talvez também realizassem rituais especiais, como a limpeza de lugares sagrados antes das celebrações.
Embora Urton não tenha encontrado provas diretas sobre as linhas em si, traçou um retrato claro de como as pessoas podem ter vivido na época das linhas.
Ele também concordou com outros pesquisadores que as linhas provavelmente tinham relação com rituais, ainda que não exclusivamente.
DAVID JOHNSON
David Johnson, um especialista em geologia de Nova York, visitou Nazca em 1995.
Habilidoso em localizar água subterrânea, ficou curioso sobre Nazca porque a região tinha pouca água para a agricultura.
Ele gostava de desafios como esse. Explorou o árido vale de Nazca e conversou com agricultores locais para conhecer seus problemas com a água.
David começou estudando antigos canais subterrâneos chamados puquios de Nazca.
Eles foram construídos pelos antigos nazcas por volta de 500 d.C.
Ao examinar esses canais, notou outras marcas no terreno próximo (as Linhas de Nazca).
Pensou que essas linhas poderiam indicar onde a água estava escondida no subsolo.
Supôs que os antigos nazcas conheciam bem o terreno e construíam suas casas onde podiam encontrar água.
A ideia de David é que existem rios sob o deserto e que os desenhos de Nazca os indicam.
Ele acredita que formas como os trapézios indicam água abaixo e que as espirais mostram a direção em que ela flui.
Os grandes triângulos apontariam para fendas na terra por onde a água circula.
Na visão dele, as figuras de animais seriam nomes das fontes de água, como “Condor” ou “Aranha”.
No entanto, quando especialistas, como geólogos e arqueólogos, analisaram a hipótese de David, não encontraram uma ligação clara entre as Linhas de Nazca e a água.
Após quase cinco anos de estudo, não concordaram que as linhas e a água estivessem relacionadas da forma proposta por David.
JOHAN REINHARD
Em 1988, JOHAN REINHARD, explorador da National Geographic e especialista no culto às montanhas das civilizações antigas, chegou a Nazca.
Depois de explorar a região de Nasca, concluiu que as linhas eram caminhos sagrados usados pelos antigos nazcas para venerar as montanhas, divindades naturais que eles consideravam a principal fonte de água.
O CULTO ÀS MONTANHAS foi uma prática comum nessas regiões no passado, e ainda hoje os agricultores costumam invocá-las, oferecendo diversos presentes para agradá-las antes de lançar as sementes à terra.
Na Antiguidade, as montanhas sagradas tinham papel importante nas sociedades costeiras e andinas e costumavam ser associadas à água, ao clima e à fertilidade.
Ainda hoje existem caminhos rituais que levam as pessoas a determinados centros importantes, onde acontecem grandes cerimônias.
Ainda hoje, moradores da região de Cusco percorrem antigos caminhos em direção ao sopé dos Andes para honrar seus deuses, que acreditam habitar no alto das montanhas.
No auge da cerimônia, os fiéis formam grandes filas humanas voltadas para os picos ao redor e rezam aos deuses das montanhas.
Um dos rituais mais curiosos da festa é o do BLOCO DE GELO cerimonial, levado de uma geleira até as filas onde os fiéis aguardam, simbolizando a água sagrada que dá vida a cidades desérticas como Nazca.
Para Reinhard, os imensos desenhos geométricos eram locais onde se realizavam rituais em honra aos deuses das montanhas, pedindo chuva e fertilidade.
Quanto às figuras de animais, ele afirma que representavam os deuses das montanhas, que, segundo se acreditava, assumiam a forma de diferentes animais, geralmente criaturas admiradas.
O SIMBOLISMO ANIMAL é comum em todos os Andes peruanos, e no planalto de Nazca encontramos várias criaturas traçadas, o que indica a importância que tinham na Antiguidade.
Na crença andina, aranhas e beija-flores são associados à fertilidade.
Por outro lado, há uma figura de macaco, também associada à água, já que seu habitat natural é a floresta amazônica, uma região com água em abundância.
Da mesma forma, outro grupo desse simbolismo animal é formado por criaturas marinhas, como aves marinhas e a orca, e até conchas, que também foram representadas na planície de Nazca.
Grandes quantidades de conchas marinhas foram encontradas no topo das montanhas ao redor de Nazca, o que indica que eram usadas em antigas cerimônias ligadas à água.
Reinhard acredita que as imagens no solo foram feitas em escala tão grande principalmente para os deuses das montanhas, que, segundo a crença, habitavam no alto e, portanto, podiam vê-las.
Alguns estudiosos acreditam que, em datas importantes, os nazcas percorriam as figuras de animais em grandes grupos para chamar a atenção dos deuses, que assim podiam ver do alto os animais ganhando vida.
Além disso, muitas conchas e fragmentos de cerâmica foram encontrados sobre as figuras, o que indica que ali se realizavam cerimônias e que, provavelmente, ao final de cada uma, quebravam vasos decorados como oferenda aos deuses.
MARKUS REINDEL E JOHNY ISLA
Em 1997, o suíço Dr. Markus Reindel e o arqueólogo peruano Johny Isla iniciaram uma nova pesquisa voltada principalmente para o vale de Palpa.
O trabalho de campo foi financiado pela Fundação Suíço-Liechtensteinense para Pesquisas Arqueológicas no Exterior.
O estudo da cultura Nazca se baseou em seu CONTEXTO CULTURAL e, para atingir o objetivo, reuniram uma equipe de profissionais e especialistas em geoarqueologia, geofísica, cronometria, antropologia e fotogrametria para obter informações geográficas detalhadas.
Graças aos GEOMORFÓLOGOS, descobriram o LOESS, um sedimento pré-histórico que indica que no passado (800 a 200 a.C.) a PAISAGEM era mais úmida e, por isso, os vales tinham mais vegetação e permitiam uma agricultura sólida.
Essa descoberta sugere também que o clima nem sempre foi estável, mas mudou ao longo dos anos, e que no período Nazca Tardio (450 a 600 d.C.) os vales se tornaram áridos e os rios secaram, o que acabou forçando os nazcas a abandonar seus assentamentos em busca de novas terras férteis.
Esses resultados são muito importantes para compreender a natureza dos geoglifos, já que durante anos outros pesquisadores não haviam dado muita atenção ao contexto geográfico e geológico desses sítios.
Com os ANTROPÓLOGOS, realizaram escavações em diferentes sítios ao longo da bacia do rio Grande, em Palpa, onde encontraram assentamentos que prosperaram em diferentes períodos culturais.
Todos esses assentamentos ficavam em pontos estratégicos do vale. Os sítios escavados foram Pernil Alto, Jauranga, Los Molinos, La Muña e Pinchango Alto.
As escavações revelaram construções interessantes de adobe, terraços de cultivo, túmulos e plataformas cerimoniais com oferendas.
Entre as oferendas, encontraram ossos de lhama, conchas, espinhas de peixe e restos de frutos, que nos dão uma ideia mais clara de seus hábitos alimentares e do comércio de longa distância naquela época.
Além disso, Reindel e Isla descobriram pequenos ALTARES na extremidade de antigos trapézios, o que os levou a crer que as enormes formas geométricas do deserto eram uma espécie de catedrais a céu aberto, onde centenas de peregrinos realizavam cerimônias religiosas.
Os altares também escondiam no subsolo diversas oferendas, como fragmentos de cerâmica, o que sugere que os nazcas as quebravam de propósito como oferenda.
Essas descobertas indicam que o tamanho e o volume dessas estruturas, sobretudo as retangulares, eram proporcionais ao trapézio: quanto maior o trapézio, maior a plataforma retangular construída nele.
Diferentemente das grandes estruturas retangulares, os trapézios menores continham pequenos montículos funerários.
Por fim, um quarto tipo, menos frequente, corresponde a estruturas de planta circular ou quadrangular de uso temporário, talvez durante a construção e a manutenção dos geoglifos.
Ao que parece, algumas dessas estruturas também serviam como pontos de observação.
Entre os vestígios encontrados sob essas estruturas, também descobriram SPONDYLUS, ostras espinhosas que só prosperam nas águas tropicais mais quentes do norte do Peru e do Equador.
Na Antiguidade, o Spondylus simbolizava a água e a fertilidade da terra para muitas culturas, pois prolifera em águas costeiras quentes, onde a paisagem é mais fértil e as chuvas são mais constantes.
É provável que os antigos peruanos conhecessem a relação entre as chuvas e a presença de Spondylus no oceano.
Quando o aparecimento de Spondylus aumentava no norte do Peru, isso significava que as águas do oceano haviam esquentado, provocando o fenômeno conhecido como El Niño, que traz muita chuva e inundações.
Por outro lado, quando a presença de Spondylus diminuía significativamente no oceano, começava um período de seca que acabava gerando outro fenômeno conhecido como La Niña.
Assim, na cosmovisão Nazca, o Spondylus tinha grande significado religioso por sua associação com a água e provavelmente valia mais que o ouro ou a prata para os antigos peruanos.
Como parte do projeto, a equipe incorporou a FOTOGRAMETRIA AÉREA, uma ferramenta poderosa que permitiu mapear grandes áreas, incluindo ruínas antigas, e registrar com alta precisão mais de 1.500 desenhos de Nazca. A fotogrametria não fornece apenas imagens de alta resolução, mas também permite obter informações métricas sobre o tamanho, a forma e a posição dos antigos assentamentos e desenhos.
Ao contrário dos famosos geoglifos da cultura Nasca, que se encontram sobretudo nos planaltos desérticos entre os vales, as figuras Paracas, mais antigas, eram geralmente traçadas nas encostas dos morros, o que significa que naquela época esses geoglifos eram visíveis do chão.
Além disso, com a ajuda da GEOFÍSICA, conseguiram detectar objetos antigos sob a superfície usando um magnetômetro, o que lhes permitiu localizar estruturas no interior de algumas figuras geométricas.
Quanto às figuras de animais, afirmam que os sulcos que formam o contorno de cada imagem acabaram sendo usados como caminho sagrado.
Depois de analisar várias figuras, perceberam que as linhas que compõem o desenho são mais COMPACTAS que o solo ao redor, portanto os antigos habitantes devem ter caminhado sobre elas.
Segundo alguns cronistas espanhóis, os nativos desses vales contavam que, no passado, seus antepassados realizavam grandes cerimônias sobre essas figuras gigantes.
A pesquisa dessa equipe demonstrou que as Linhas de Nazca não podem ser estudadas de forma isolada, já que o antigo mundo Nazca é cercado por diversos elementos que estruturam seu contexto.
Sem dúvida, os resultados obtidos por Reindel e Isla representam uma ampla documentação sobre os geoglifos de Nazca, um trabalho muito detalhado que nos oferece uma visão mais profunda da vida das culturas Paracas e Nazca e estabelece as bases para futuras pesquisas científicas.



